Quando a família decide adotar estruturas formais de comunicação e interação com a empresa, de forma a profissionalizar e dar continuidade ao negócio e, ao mesmo tempo, fortalecer o bom relacionamento familiar, está, na prática, adotando o processo de governança. Quanto mais madura e mais bem assessorada estiver a governança, mais alinhada será a comunicação entre os parentes e sócios, e mais claros estarão os papéis que cada um desenvolve.

No âmbito da empresa rural familiar, a governança – dentre muitos outros benefícios – traz ao produtor rural a certeza da melhoria na comunicação entre os sócios, o comprometimento destes quanto ao sucesso da empresa e a apresentação dos resultados, com a transparência dos assuntos que envolvam todos os interessados no negócio familiar.

Porém, pode acontecer que nem sempre o processo de governança ocorra com a tranquilidade esperada. Os processos de mudança e de organização costumam ser ocasião de crescimento, e nem todos estão preparados para enfrentá-los. Além disso, é costumeiro na experiência das famílias rurais que haja a concentração de informações (e, não raro, de poder) apenas no patriarca. Compartilhar informações, preparar-se para dividir ou delegar tarefas e poder, aceitar a opinião das gerações diferentes também são processos pessoais que podem ser conflituosos, seja internamente ou sistemicamente.

A mediação busca solucionar os conflitos que vão surgindo no meio desse caminho. Um profissional bem preparado sabe auxiliar os envolvidos no conflito a que possam identificar e expressar seus reais interesses e motivações, de forma objetiva, isto é, identificando os problemas. O mediador também conduz o diálogo de forma respeitosa e confidencial, de tal modo a que os sócios e familiares em situação de conflito tenham um espaço onde possam trazer suas preocupações e formulem soluções criativas, duradouras e que contemplem a todos.

Depois de realizar entrevistas individuais com as pessoas em conflito, o mediador cria uma agenda, mapeando claramente os pontos de convergência (muitas vezes desconhecidos ou ignorados pelos conflitantes) e os pontos que precisarão ser desenvolvidos no curso da mediação. Com ferramentas apropriadas a cada pessoa, o mediador utiliza sua técnica e sua sabedoria para aproximar a família e os sócios, mostrando que o conflito – para além de ser natural a todas relações humanas – pode ser necessário e saudável, se bem administrado. A agenda ajuda a que não se percam o foco, a objetividade e a qualidade do trabalho, garantindo a todos a celeridade necessária no agronegócio.

Uma governança rural bem sedimentada na comunicação, na transparência, nas responsabilidades mútuas e na busca por objetivos comuns também será uma governança que investe na utilização da mediação, para que a gestão do agronegócio seja mais eficaz e a relação da família seja mais fortificada.

Henrique Souza e Silva
Consultor na área de Gestão Organizacional e Familiar na Safras & Cifras
Atua com Mediação e Conciliação desde 2005
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